Psicologia Biodinâmica e a Simplicidade Voluntária 

Recentemente tenho estado bastante em contato com um movimento (e modo de vida) cujo nome é Simplicidade Voluntária. A medida que faço leituras e vivencio alguns conceitos, cada vez mais vou percebendo algumas características bem alinhadas com a Psicologia Biodinâmica – e a proposta da postagem de hoje é falar um pouco sobre isso.

Simplicidade Voluntária é a ideia que pode ser definida como um modo de vida que busca simplificar nosso modo de estar no mundo. Tem como base a ideia de que nossa organização social e hábitos de consumo se tornaram tão complexos que nos levam a um estado de estresse enquanto tentamos lidar com todas as variáveis. Também considera que essa maneira de viver – apressada, complexa, competitiva e pouco consciente – traze consequências negativas, como o acúmulo de objetos (muitas vezes, inúteis), esgotamento dos recursos naturais do planeta e a geração de um excesso de resíduos (que contaminam solo, água e ar). A longo prazo, é um modo de vida pouco sustentável, uma vez que deixamos atrás de nós um planeta cada vez menos habitável para nossos descendentes.

Além disso, essa vida também nos torna cada vez mais alheios às nossas verdadeiras necessidades (substituídas por desejos de consumo: “eu PRECISO do novo iPhone 6!”), insensíveis às conexões com outros seres humanos (nossos “rivais” na competição pelo melhor cargo, pela vaga de estacionamento, pela vez na fila do supermercado) e nos colocam em um estado de eterna insatisfação com a vida.

A Simplicidade Voluntária se apresenta como uma alternativa a isso tudo, sugerindo maneiras de levar a vida de modo exteriormente mais simples, mas internamente mais rica (como diz o título do excelente livro de Duane Elgin, Voluntary Simplicity). Fazer mais da vida e ser mais feliz, mesmo com menos recursos (naturais/materiais).

Ela se distingue do conceito de “pobreza”, uma vez que esta é involuntária e muitas vezes degradante para os seres humanos. A Simplicidade Voluntária é uma escolha, visando felicidade e desenvolvimento digno para todos. O que nem sempre é visto em nossa sociedade atual, onde encontramos absurdas incoerências, como por exemplo uma parte dela viver na miséria enquanto a outra parte vive em um frenesi de consumo e desperdício.

Este “fazer mais com menos” me remeteu imediatamente a uma frase bastante comum na Psicologia Biodinâmica: “O Pouco é Muito”. Do ponto de vista clínico, isso significa que o terapeuta, muitas vezes, obtém mais resultados com uma intervenção simples e precisa do que com grandes, eloquentes e brilhantes interpretações. Muitas vezes um paciente precisa de palavras de conforto, e não de complexas explicações sobre um Complexo de Édipo mal elaborado. A pessoa que sofre precisa ser acolhida, e isso diversas vezes é o gatilho necessário para se iniciar o caminho rumo à saúde.

Não se trata de uma Psicologia simplista (reducionista), mas sim uma que trata de ser simples e eficaz. Como na Simplicidade Voluntária, se trata de fazer mais, com menos – de um jeito consciente e conectado à nossa verdadeira essência, às nossas reais necessidades.

Estar em paz consigo mesmo e com nossos pensamentos, cultivar amizades e relações saudáveis, estar mais próximo da vida em família, alimentar-se bem, dar-se o direito de descansar (merecidamente!), sentir o bem-estar do corpo e da alma são coisas que independem do melhor cargo profissional, currículo acadêmico ou quantidade de bens que possuímos. Todos buscamos a felicidade, mas os meios pelos quais temos buscado por ela não parecem estar muito adequados. Talvez seja hora de rever alguns conceitos. 

Existe beleza no que é simples

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