Psicologia Biodinâmica e a Simplicidade Voluntária 

Recentemente tenho estado bastante em contato com um movimento (e modo de vida) cujo nome é Simplicidade Voluntária. A medida que faço leituras e vivencio alguns conceitos, cada vez mais vou percebendo algumas características bem alinhadas com a Psicologia Biodinâmica – e a proposta da postagem de hoje é falar um pouco sobre isso.

Simplicidade Voluntária é a ideia que pode ser definida como um modo de vida que busca simplificar nosso modo de estar no mundo. Tem como base a ideia de que nossa organização social e hábitos de consumo se tornaram tão complexos que nos levam a um estado de estresse enquanto tentamos lidar com todas as variáveis. Também considera que essa maneira de viver – apressada, complexa, competitiva e pouco consciente – traze consequências negativas, como o acúmulo de objetos (muitas vezes, inúteis), esgotamento dos recursos naturais do planeta e a geração de um excesso de resíduos (que contaminam solo, água e ar). A longo prazo, é um modo de vida pouco sustentável, uma vez que deixamos atrás de nós um planeta cada vez menos habitável para nossos descendentes.

Além disso, essa vida também nos torna cada vez mais alheios às nossas verdadeiras necessidades (substituídas por desejos de consumo: “eu PRECISO do novo iPhone 6!”), insensíveis às conexões com outros seres humanos (nossos “rivais” na competição pelo melhor cargo, pela vaga de estacionamento, pela vez na fila do supermercado) e nos colocam em um estado de eterna insatisfação com a vida.

A Simplicidade Voluntária se apresenta como uma alternativa a isso tudo, sugerindo maneiras de levar a vida de modo exteriormente mais simples, mas internamente mais rica (como diz o título do excelente livro de Duane Elgin, Voluntary Simplicity). Fazer mais da vida e ser mais feliz, mesmo com menos recursos (naturais/materiais).

Ela se distingue do conceito de “pobreza”, uma vez que esta é involuntária e muitas vezes degradante para os seres humanos. A Simplicidade Voluntária é uma escolha, visando felicidade e desenvolvimento digno para todos. O que nem sempre é visto em nossa sociedade atual, onde encontramos absurdas incoerências, como por exemplo uma parte dela viver na miséria enquanto a outra parte vive em um frenesi de consumo e desperdício.

Este “fazer mais com menos” me remeteu imediatamente a uma frase bastante comum na Psicologia Biodinâmica: “O Pouco é Muito”. Do ponto de vista clínico, isso significa que o terapeuta, muitas vezes, obtém mais resultados com uma intervenção simples e precisa do que com grandes, eloquentes e brilhantes interpretações. Muitas vezes um paciente precisa de palavras de conforto, e não de complexas explicações sobre um Complexo de Édipo mal elaborado. A pessoa que sofre precisa ser acolhida, e isso diversas vezes é o gatilho necessário para se iniciar o caminho rumo à saúde.

Não se trata de uma Psicologia simplista (reducionista), mas sim uma que trata de ser simples e eficaz. Como na Simplicidade Voluntária, se trata de fazer mais, com menos – de um jeito consciente e conectado à nossa verdadeira essência, às nossas reais necessidades.

Estar em paz consigo mesmo e com nossos pensamentos, cultivar amizades e relações saudáveis, estar mais próximo da vida em família, alimentar-se bem, dar-se o direito de descansar (merecidamente!), sentir o bem-estar do corpo e da alma são coisas que independem do melhor cargo profissional, currículo acadêmico ou quantidade de bens que possuímos. Todos buscamos a felicidade, mas os meios pelos quais temos buscado por ela não parecem estar muito adequados. Talvez seja hora de rever alguns conceitos. 

Existe beleza no que é simples

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Competências Emocionais para viver melhor: Consciência Emocional

Conforme falei na primeira postarem dessa série (e que você pode conferir clicando aqui), minha intenção é descrever as habilidades gerais e específicas que compõem as Competências Emocionais. Essas habilidades são poderosas ferramentas que podem nos ajudar a viver uma vida mais satisfatória e com mais significado. Neste texto e nos demais, me baseio no mesmo modelo que uso para compreender e ajudar aqueles que me procuram no consultório.

A primeira das habilidades gerais é a Consciência Emocional, que diz respeito à capacidade de reconhecer e dar nome às emoções e sentimentos, sejam eles nossos ou dos outros. É considerada a primeira das habilidades porque sem ela se torna muito difícil – senão impossível – desenvolver as demais.

Sabe aqueles dias em que acordamos não muito bem? Aquela sensação de “sei lá”? Uma coisa que não é aborrecimento, não é tristeza, não é tédio, não é irritação… E, quando alguém pergunta o que você tem, a resposta que aparece é “Não sei”. Sabemos que algo não vai bem, mas não conseguimos dar nome ao que sentimos. O que falta aí é Consciência Emocional. Pode parecer algo irrelevante, mas é muito comum e pode causar uma série de problemas…

Saber como estamos nos sentindo é uma informação muito valiosa porque nos permite entender e lidar melhor com as situações da vida. Entender o que sentimos e qual situação nos causa aquele sentimento é o primeiro passo para efetivamente fazer algo a respeito, para modificar o que nos incomoda – e isso é assumir o controle da própria vida. Quem nunca conheceu alguém que se torna impaciente e desconta em todo mundo: no trânsito, nos vizinhos, nos filhos… Perceber que estamos irritados por causa, especificamente, de uma frustração no trabalho é muito mais eficiente do que só sentir raiva e sair por aí dizendo (e fazendo!) coisas das quais se pode arrepender depois.

Consciência Emocional também diz respeito à nossa capacidade de reconhecer as emoções nos outros. Digamos que a situação seja no relacionamento: é muito comum as pessoas se comportarem de maneira que aborrece o companheiro e nem perceberem o que fizeram de errado até que uma briga se instale. Salvo algumas situações (em geral, quando o relacionamento já está desgastado), a irritação não surge subitamente na primeira “pisada de bola”. A outra pessoa vai se aborrecendo e dando pequenos sinais de que não está gostando do que acontece. Mas muitos falham em reconhecer essas “pistas emocionais”. O mesmo acontece entre amigos, irmãos, vizinhos, empregados e chefes. Na falta de Consciência Emocional, a confusão se instala.

Esta Competência também é importante no desenvolvimento de outras habilidades de suma importância nos dias em que vivemos, como empatia, compaixão e solidariedade. Todos concordamos que o mundo precisa de mais solidariedade, mas a partir do momento em que as pessoas não conseguem perceber ou entender que outras pessoas estão sofrendo (seja porque motivo for), é apenas consequência que não ofereçam ajuda.

Em Psicologia Biodinâmica, entendemos que as emoções e sentimentos têm reflexos no corpo. Quando nos sentimos tristes, com medo, irritados ou mesmo alegres, nosso corpo reage de maneiras distintas. Basta olhar com atenção para sinais como a expressão facial ou postura para perceber o quanto isso é verdade.

Um dos dois está bem irritado...

Um dos dois está bem irritado…

Estar atento a estes sinais em nosso próprio corpo é um bom caminho para reconhecer o que estamos sentindo e aprender a como lidar com as emoções. Seja através de trabalhos corporais como massagem, Ioga, Tai Chi Chuan, através da prática regular de meditação ou de esportes, nos tornamos mais conscientes do estado corporal e isso tem um reflexo muito positivo em termos de Consciência Emocional.

Evidentemente em alguns momentos da vida a situação já chegou a um ponto em que não se consegue lidar com nenhum aspecto da nossa vida emocional. Nesse caso, algumas sessões de terapia podem servir como alguém que aponta uma direção quando se está perdido em uma cidade estranha. E depois da rota ajustada, é seguir adiante na viagem da vida.

As emoções muitas vezes podem nos confundir e atordoar. Mas elas são uma parte importante da vida mental, e sem elas a vida seria absolutamente cinza, fria e sem graça. Aprender a reconhecer e dar nome ao que estamos sentindo é fundamental para viver melhor.

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Na próxima postagem vamos falar sobre Adequação Emocional. Não perca!

A imagem veio daqui.

Competências Emocionais para viver melhor

Durante esses anos realizando atendimentos em consultório como psicólogo, muitas pessoas me procuraram (e ainda procuram) em busca de ajuda. Embora os motivos variem bastante em conteúdo, fui notando que na forma todos os problemas obedecem a um certo “padrão”. Independente de se tratar de um problema de relacionamento, familiar, profissional, de estresse, de depressão ou de autoestima – apenas para citar alguns tipos – invariavelmente uma mesma dificuldade se apresenta como origem.

A dificuldade de lidar com as emoções.

É curioso perceber que, em pleno século XXI, com tantos avanços científicos e tecnológicos, ainda estejamos às voltas com algo tão elementar e tão próximo de nós como são as emoções.  Por mais que a expressão Inteligência Emocional seja bastante popular hoje em dia, vivenciar este conceito está longe de ser algo tão desenvolvido em cada um de nós.

Evidentemente isso é resultado de uma série de fatores históricos, culturais e até mesmo filosóficos (em breve, escreverei mais a respeito destes fatores). Mas o fato é que ainda sofremos por não entender e não saber como lidar com esse lado da nossa vida psicológica.

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Ao observar o mundo atual, é fácil perceber que somente o conhecimento intelectual não é o bastante para resolver os nossos problemas pessoais e muito menos os sociais. Na era da internet, abundância de informação não é suficiente. Ainda convivemos com agressividade sem controle, desvalorização da vida, competitividade desleal, mal estar generalizado. Assim sendo, que tipo de habilidades são necessárias para sobreviver e, por que não, plantar a semente da mudança nesses tempos tão turbulentos?

As Competências Emocionais são um conjunto de habilidades que se referem à totalidade da nossa vida emocional. Essas habilidades, durante muito tempo, foram encaradas como um “pseudoconhecimento”, algo irrelevante com que não se deveria gastar muito tempo. Hoje, porém, cada vez mais se observa o quanto são necessárias. Mesmo no mercado profissional essa visão tem se disseminado e consolidado – o bom profissional não é mais apenas aquele que tem o conhecimento técnico, mas sim aquele que sabe aliar equilíbrio emocional e capacidade de relacionamento com a competência técnica específica da sua função.

Ao contrário do que se pode parecer a primeira vista, essas competências não são como “dons” com os quais se tem (ou não) a sorte de nascer. São habilidades que se pode aprender e praticar – e que deveriam ter sido ensinadas a cada um de nós. Não é um processo tão simples, mas entender como tudo isso funciona é o primeiro passo para identificar de que modo é possível melhorar em todos os aspectos da vida.

Nesta série de postagens aqui no Biodinamizando, irei descrever habilidades gerais e específicas que constituem as Competências Emocionais, de acordo com a visão que tenho formado ao longo destes anos de estudo. Esse modelo é o mesmo que utilizo para entender as dificuldades e então ajudar as pessoas que me procuram no consultório.

Vamos dar início com as habilidades gerais, que serão divididas em três blocos principais: a Consciência Emocional, a Adequação Emocional e a Autonomia Emocional.

Fica aqui o convite para acompanhar as próximas postagens, onde serão explicados os significados de cada uma delas e as maneiras pelas quais é possível desenvolver em nós mesmos essas competências tão importantes para nossa formação enquanto seres humanos mais realizados e completos.

Até a próxima!

 

 

 

 

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O que, afinal, a Psicologia tem a ver com o corpo?

Inicialmente, quando pensamos em Psicologia, logo somos levados a pensar sobre o estudo e as intervenções sobre a vida e saúde mental das pessoas, não é verdade? Mesmo a origem da palavra Psicologia (do grego Psyche, ‘alma’ e Logos, ‘estudo’) nos conduz a esse raciocínio – Estudo da Alma. Nada a ver com corpo.

Porém, olhando com um pouco mais de atenção veremos que essa aparente contradição não se sustenta.

A começar pelo estudo daquele que é o órgão de maior interesse para as ciências da mente: o cérebro. Expressões como “hoje estou com a cabeça cheia” ou “estou com a minha cabeça fervendo” são expressões populares para quando estamos preocupados ou aborrecidos. Hoje temos dados científicos que vem ao encontro dessa sabedoria popular; a atividade mental é resultado de algo que acontece na cabeça – mais precisamente no cérebro. O mau funcionamento cerebral (seja por uma deficiência em seu desenvolvimento ou mesmo em função de alguma lesão – por exemplo, em um acidente) altera toda a vivência e expressão das chamadas funções mentais: memória, consciência, percepção, linguagem, movimentos… 

O cérebro, então, funciona como uma “caixa de comando”, onde são reunidas e processadas as informações e de onde partem os comandos para o restante do corpo funcionar. Através da medula e dos nervos, o corpo inteiro se encontra interligado e sob o comando do que acontece no cérebro. Mesmo as funções corporais sobre as quais não pensamos (no sentido de que não precisamos pensar conscientemente para nosso coração bater ou nossos rins filtrarem o sangue) acontecem a partir de informações enviadas do sistema nervoso – do qual o cérebro é peça chave.

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Podemos ir mais além. O que nós chamamos de emoção nada mais é do que uma reação do corpo a determinados estímulos. Ao acordar no meio da noite com um barulho muito alto e forte, nos levantamos rápido, nosso corpo contraído, um “frio na barriga”, a respiração presa, o coração batendo forte e os olhos “arregalados”. Considerando que o barulho foi causado pelo vento que bateu uma janela, depois podemos descrever a situação – “Acordei assustado”. Primeiro nosso corpo reage em uma série de atos reflexos, depois nosso cérebro interpreta estes sinais e temos a consciência “me assustei”. E a isso nomeamos como medo. 

O mesmo acontece com outras emoções. Além dos efeitos globais gerados no organismo, também acontecem efeitos mais sutis. Por exemplo, por mais que se esforce, é pouco provável que todos consigam esconder a raiva: alguma coisa na postura, no olhar ou nas expressões faciais se alteram em função da emoção sentida. Ou será que a emoção na verdade é percebida somente depois que o cérebro registra as alterações corporais? Independente da ordem em que as informações são processadas (e em se tratando de funcionamento cerebral, isso pode levar apenas algumas frações de segundo), o fato é que existe aí uma relação.

Assim, podemos dizer que as emoções estão relacionadas tanto a reações do corpo como da mente. Nas chamadas doenças psicossomáticas, disfunções físicas têm como origem desequilíbrios na vida mental/afetiva. Todos já ouvimos falar do quanto o estresse prolongado é capaz de nós levar a uma série de doenças – hipertensão, dores de cabeça, gastrite, entre outras. Do mesmo modo, algumas doenças físicas podem dar origem a alterações mentais: desde o mau funcionamento de glândulas como a tireóide, causando sintomas parecidos com a depressão; até a perda da fala ou dos movimentos, causada por lesões no cérebro (caso dos Acidentes Vasculares Cerebrais – os AVCs) ou na medula (fraturas na coluna em acidentes, por exemplo).

Problemas também acontecem quando a percepção do que acontece conosco falha. É o caso da pessoa que é muito ansiosa e apenas tem consciência disso quando os efeitos – físico e mentais – da ansiedade se transformam em um transtorno. Ou da pessoa que se torna irritadiça e não consegue dormir, sem perceber que tudo acontece em função do desequilíbrio gerado pelo estresse. Falta a percepção dos efeitos no corpo, ou dos efeitos na mente. Essa separação (ou cisão) é bastante perigosa pois nos leva gradativamente a quadros bastante complicados.

A partir disso, já poderíamos dizer que a Psicologia tem muita coisa a ver com o corpo. Afinal tudo que afeta a mente vai, através do cérebro, e em algum momento, afetar também outras partes do corpo. Não esqueçamos que somos um todo interdependente, sendo que  negligenciar qualquer uma das partes gera desequilíbrio nas outras. Desse modo, a divisão entre corpo e mente se torna apenas didática, um recurso utilizado pela ciência para tentar compreender as funções e interrelações desse ser tão complexo que é o ser humano.

A Psicologia Biodinâmica, enquanto uma abordagem da psicologia corporal, reúne conhecimentos de diversas áreas do saber ligadas a esse raciocínio. Através dessa forma de entender e agir, busca-se ampliar e fortalecer a consciência do corpo, superar a cisão, como uma forma de auxiliar no processo de tratar a mente. E vice-versa, pois a relação entre eles é dinâmica e, como vimos, profundamente interligada. 

Quatro maneiras pelas quais a Psicologia Biodinâmica melhorou minha vida.

Costumo dizer que a Biodinâmica me fez muito bem e que, nesses já quase quatro anos de (trans)formação aprendi muito – não apenas sobre a teoria, como também sobre as coisas que regem a vida. Justamente por isso me empenho em ajudar outras pessoas dessa maneira: porque já senti na pele (muitas vezes, literalmente) o quanto se pode viver com mais significado e satisfação através dela. Assim, hoje venho falar um pouco a respeito do que, exatamente, a Psicologia Biodinâmica fez por mim:

 

1. Melhorou a saúde do meu corpo
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Estar atento e reconhecer que eu sofria com dores e tensões musculares das quais eu nem tinha muita consciência me mostrou o quão negligente se pode ser com a primeira casa que habitamos: nosso corpo.
Construir uma referência de relaxamento ensinou meu sistema nervoso a relaxar (pois isso também se aprende!), e o bem estar que surgiu a partir daí me levou a prestar mais atenção e cuidar melhor da minha saúde. Fora que, ao diminuir o nível de stress, meu sistema imunológico passou a trabalhar muito melhor, sono e digestão passaram a funcionar melhor que nunca… entre outros ganhos.

 
2. Aumentou minha autoconsciência

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Eis um fato neurológico: nossa autoconsciência surge da integração que o sistema nervoso faz dos sinais corporais. Esse é um processo que ocorre “nos bastidores” da atividade cerebral, isto é, acontece e nem se percebe – é parte da arquitetura do cérebro, por assim dizer. De fato, é como se o cérebro reunisse todas as sensações do corpo (pele, músculos, vísceras, etc) para definir “quem sou eu”. Daí que o trabalho corporal que realizei com a Biodinâmica aumentou muito minha percepção desses sinais e consequentemente minha autoconsciência. Conhecer limites e potenciais, o que se consegue ou não fazer, nos dá um senso de fortalecimento sem igual.

 

3. Ensinou a lidar melhor com minhas emoções
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Quase como uma continuação do processo de autoconhecimento mencionado no item anterior, a percepção mais aguçada de mim mesmo me ensinou a lidar com minhas emoções. Toda emoção surge primeiro como uma sensação corporal e que depois é percebida pela mente consciente (por exemplo, quando algo vem muito rápido em nossa direção, nosso reflexo é desviar – e só depois se consegue perceber se é algo realmente perigoso ou não. E todos já passamos por situações em que, ao tomar um susto, nos pegamos prendendo a respiração). Daí que a maior consciência das sensações corporais “reforça” as conexões neuronais que percebem as emoções.
É muito mais fácil lidar com a raiva quando se percebe a irritação crescendo em você, e não quando já se está gritando e no meio de uma briga. O mesmo vale para as outras emoções, boas ou não: tristeza, euforia, angústia, alegria…

 

4. Transformou minha relação com outras pessoas
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Por fim, mas não menos importante, a Psicologia Biodinâmica transformou minha relação com outras pessoas de duas maneiras diferentes.
Primeiro, porque lidar com pessoas não é fácil – mas fica muito mais tranquilo quando se conhece bem seus PRÓPRIOS sentimentos e emoções. Aliás, só dizemos que as pessoas são difíceis justamente porque elas nos causam emoções que não queríamos sentir ou com as quais não sabemos lidar. Sejam chefes ou parceiros que nos irritam, pessoas que depreciam nosso trabalho e nos entristecem, imprudentes no trânsito que causam em nós medo e tensão… a lista é grande. Lidar melhor com minhas próprias emoções me deu ferramentas para ao menos me manter mais equilibrado diante dessas situações.
Segundo, e não menos importante, porque o conhecimento teórico da Psicologia Biodinâmica nos oferece uma visão de que as pessoas por vezes não são boas porque, a grosso modo, não tiveram espaço para desenvolver suas qualidades. Isso tem implicações familiares, sociais, políticas e econômicas (e que não caberiam ser discutida em um pequeno texto como esse). Mas o fato é que passei a observar melhor alguns casos e pude perceber que essa ideia faz muito sentido, e pude lidar com algumas pessoas de um modo que não seria possível sem essa compreensão.

 

Em suma, existem outros efeitos mais sutis e que derivam, de um modo ou de outro, dessas quatro maneiras que mencionei. Enfim, posso dizer que a teoria, a prática e a experiência de biodinamizar um pouco minha vida a mudou completamente – e me arrisco a dizer que para sempre.

 

Até a próxima!

 

Respire Fundo!

Você já parou para respirar hoje?

Essa pergunta, que pode soar um pouco estranha à primeira vista, pode ser bastante pertinente. Afinal, em nosso dia a dia sempre tão corrido, cheio de pressão e stress, não é raro precisarmos de um “tempinho pra respirar”.

Uma função tão básica e automática acaba passando despercebida em meio ao turbilhão de coisas que exigem nossa atenção. Mas isso não a torna menos importante: sem respirar, morreríamos em poucos minutos.

É através do processo da respiração que o oxigênio, levado pelo sangue, chega às nossas células; elas precisam deste gás tão precioso no seu processo de quebra das moléculas e obtenção de energia. Também é por meio dele que expelimos o dióxido de carbono (ou CO2), um dos resíduos da atividade metabólica.

Quando nascemos, uma das primeiras trocas que temos com o meio ambiente se dá quando começamos a respirar. Antes disso, era pelo cordão umbilical que o bebê recebia o oxigênio e eliminava o gás carbônico. Assim, o nosso “estar no mundo” passa, desde cedo, pela atividade respiratória.

Há também a interessante simbologia do “sopro divino”, que em várias culturas faz a ligação da ideia de respiração com a do poder superior, vital e criador.

Quando estamos sob tensão, sentimos medo, raiva ou tomamos um susto, é bastante comum que nosso padrão respiratório se modifique. Em uma situação de perigo, nosso organismo se prepara para lutar ou fugir, e normalmente respiramos mais rápido, de modo a suprir a necessidade do corpo, que é de mais energia, para enfrentar a ameaça. Quando levamos um baita susto, é bastante comum fazermos uma inspiração curta, segurando o ar por alguns segundos. Tudo isso indica, também, que a respiração tem uma ligação profunda com nossos processos emocionais.

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Não raro nos encontramos em situações de stress prolongado, e isso acaba gerando em nós um padrão respiratório diferente daquele que temos quando estamos mais relaxados e calmos. Preste atenção em como você respira normalmente: sua inspiração é mais “curta” e “rasa”, ou é mais profunda? Mais rápida, ou lenta? Possui um ritmo de inspiração e expiração, ou tende a ser mais irregular? Movimenta também o abdome, ou somente a parte superior do tórax?

Acreditamos aqui que o corpo e a mente formam uma unidade, daí que se alterarmos um deles, o outro acompanhará a mudança. Por isso, nossa proposta para hoje é a seguinte: respire!

Tome alguns minutinhos do seu dia para fazer uma respiração mais consciente: inspire mais profundamente, notando como o ar entra pelas narinas e chega aos pulmões; expire lentamente pela boca, percebendo como seus pulmões e tórax se movimentam durante o processo. Lembre-se sempre que o bem-estar é a regra de ouro, não se force a ponto de sentir desconforto. Pode ser que, no início, você sinta algum tipo de formigamento no rosto ou nas mãos. Não há com o que se preocupar: levante-se, se espreguice, ande um pouco pela sala, movimentando os membros e voltando a respirar normalmente. Esse é um tipo comum de reação, que acontece quando há mais oxigênio na corrente sanguínea do que estamos habituados. Com o tempo, essa sensação tende a diminuir.

Pode parecer pouco, mas alguns minutos dessa respiração consciente todos os dias podem contribuir para efeitos reais e bastante significativos, como mais vitalidade e disposição, relaxamento e diminuição do nível de stress.

Experimente e depois conte como foi!

Hidrate-se!

Seguindo a linha de atitudes básicas que fazem toda a diferença, hoje vou falar sobre a água que ingerimos. Iniciando com algumas perguntas: quanta água você já tomou hoje? É bastante conhecida aquela máxima de “dois litros por dia”… Mas será isso verdade?

Nosso corpo é formado, em grande parte, por líquidos; e a manutenção dessa parte líquida se dá através da água que absorvemos, seja ela pura, em forma de suco/outras bebidas ou até mesmo da alimentação – pois os alimentos que ingerimos também têm sua porcentagem de água, maior ou menor dependendo do tipo de alimento em questão.

Refrigerantes contém substâncias que causam alguns efeitos indesejados, e por isso não constituem uma alternativa saudável. Precisamos repor a água que nosso corpo gasta durante o dia através da transpiração, urina, lágrimas e outros processos metabólicos. Um corpo bem hidratado mantém-se em melhor nível de funcionamento. Pele, cabelos, olhos, o processo digestivo, a eliminação dos resíduos do metabolismo, todos são beneficiados pela ingestão adequada de água.

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Saúde!

Muitos de nós não temos o hábito de tomar água. Soa estranha essa expressão? “Hábito de tomar água”… Normalmente nos guiamos pelo sinal que nosso corpo ativa quando não está devidamente hidratado: a sede. Mas, como defendem os profissionais da nutrição e afins, que esse não é o ideal; de maneira análoga aos alarmes que instalamos para proteger nossos bens, o da sede também só é disparado quando as coisas já não estão muito bem. Em outras palavras, o melhor seria se cultivássemos o hábito de hidratar nosso corpo, sem esperar que a sede precise nos lembrar. Mesmo no inverno, quando normalmente sentimos menos vontade de tomar água, é importante nos mantermos bem hidratados – o clima muda, mas a atividade metabólica continua!

Com relação à quantidade, também nesse campo cada indivíduo é único: as suas necessidades podem ser um pouco menores (ou maiores!) que os tão difundidos dois litros de água por dia. Nosso corpo perde mais ou menos água de acordo com as atividades físicas que desenvolvemos (ou não), alimentos que ingerimos, fatores climáticos a que estamos expostos… E para saber se estamos devidamente hidratados, vale observar alguns pontos, como a cor da urina (que deve estar clarinha), se sentimos muita sede durante o dia, se nossa pele (excluindo a possibilidade de alguma outra alteração) fica seca e descamando; são apenas alguns exemplos, mas podem servir como guias preciosos.

O interessante é buscar sempre o equilíbrio, pois deste modo tendemos a ter mais saúde. Nem sempre é o caminho fácil, pois envolve nos livrarmos de maus hábitos e cultivar alguns novos. Mas os benefícios são muitos e reais.

Acredite, vale a pena!