Competências Emocionais para viver melhor: Consciência Emocional

Conforme falei na primeira postarem dessa série (e que você pode conferir clicando aqui), minha intenção é descrever as habilidades gerais e específicas que compõem as Competências Emocionais. Essas habilidades são poderosas ferramentas que podem nos ajudar a viver uma vida mais satisfatória e com mais significado. Neste texto e nos demais, me baseio no mesmo modelo que uso para compreender e ajudar aqueles que me procuram no consultório.

A primeira das habilidades gerais é a Consciência Emocional, que diz respeito à capacidade de reconhecer e dar nome às emoções e sentimentos, sejam eles nossos ou dos outros. É considerada a primeira das habilidades porque sem ela se torna muito difícil – senão impossível – desenvolver as demais.

Sabe aqueles dias em que acordamos não muito bem? Aquela sensação de “sei lá”? Uma coisa que não é aborrecimento, não é tristeza, não é tédio, não é irritação… E, quando alguém pergunta o que você tem, a resposta que aparece é “Não sei”. Sabemos que algo não vai bem, mas não conseguimos dar nome ao que sentimos. O que falta aí é Consciência Emocional. Pode parecer algo irrelevante, mas é muito comum e pode causar uma série de problemas…

Saber como estamos nos sentindo é uma informação muito valiosa porque nos permite entender e lidar melhor com as situações da vida. Entender o que sentimos e qual situação nos causa aquele sentimento é o primeiro passo para efetivamente fazer algo a respeito, para modificar o que nos incomoda – e isso é assumir o controle da própria vida. Quem nunca conheceu alguém que se torna impaciente e desconta em todo mundo: no trânsito, nos vizinhos, nos filhos… Perceber que estamos irritados por causa, especificamente, de uma frustração no trabalho é muito mais eficiente do que só sentir raiva e sair por aí dizendo (e fazendo!) coisas das quais se pode arrepender depois.

Consciência Emocional também diz respeito à nossa capacidade de reconhecer as emoções nos outros. Digamos que a situação seja no relacionamento: é muito comum as pessoas se comportarem de maneira que aborrece o companheiro e nem perceberem o que fizeram de errado até que uma briga se instale. Salvo algumas situações (em geral, quando o relacionamento já está desgastado), a irritação não surge subitamente na primeira “pisada de bola”. A outra pessoa vai se aborrecendo e dando pequenos sinais de que não está gostando do que acontece. Mas muitos falham em reconhecer essas “pistas emocionais”. O mesmo acontece entre amigos, irmãos, vizinhos, empregados e chefes. Na falta de Consciência Emocional, a confusão se instala.

Esta Competência também é importante no desenvolvimento de outras habilidades de suma importância nos dias em que vivemos, como empatia, compaixão e solidariedade. Todos concordamos que o mundo precisa de mais solidariedade, mas a partir do momento em que as pessoas não conseguem perceber ou entender que outras pessoas estão sofrendo (seja porque motivo for), é apenas consequência que não ofereçam ajuda.

Em Psicologia Biodinâmica, entendemos que as emoções e sentimentos têm reflexos no corpo. Quando nos sentimos tristes, com medo, irritados ou mesmo alegres, nosso corpo reage de maneiras distintas. Basta olhar com atenção para sinais como a expressão facial ou postura para perceber o quanto isso é verdade.

Um dos dois está bem irritado...

Um dos dois está bem irritado…

Estar atento a estes sinais em nosso próprio corpo é um bom caminho para reconhecer o que estamos sentindo e aprender a como lidar com as emoções. Seja através de trabalhos corporais como massagem, Ioga, Tai Chi Chuan, através da prática regular de meditação ou de esportes, nos tornamos mais conscientes do estado corporal e isso tem um reflexo muito positivo em termos de Consciência Emocional.

Evidentemente em alguns momentos da vida a situação já chegou a um ponto em que não se consegue lidar com nenhum aspecto da nossa vida emocional. Nesse caso, algumas sessões de terapia podem servir como alguém que aponta uma direção quando se está perdido em uma cidade estranha. E depois da rota ajustada, é seguir adiante na viagem da vida.

As emoções muitas vezes podem nos confundir e atordoar. Mas elas são uma parte importante da vida mental, e sem elas a vida seria absolutamente cinza, fria e sem graça. Aprender a reconhecer e dar nome ao que estamos sentindo é fundamental para viver melhor.

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Na próxima postagem vamos falar sobre Adequação Emocional. Não perca!

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O desafio de encontrar Significado e Satisfação na vida

Muitas pessoas me procuram em busca de ajuda essencialmente por duas razões: ou porque têm um sofrimento e querem se ver livre dele; ou porque não tem exatamente um problema grave – às vezes, até possuem todos os elementos que se costuma imaginar que façam “uma boa vida” – mas mesmo assim não tem satisfação e nem encontram um sentido pra suas vidas. O que será que falta a essas pessoas?
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Em geral, as angústias e insatisfações delas tem origem em dois pontos principais:
a) falta de conhecimento sobre os mecanismos psicológicos que constituem nossa vida
b) dificuldade em lidar com as situações (ou relacionamentos) de maneira que se encontre uma solução alinhada com seu jeito particular de ser – sua personalidade ou identidade.

É bastante comum que tenhamos o pensamento de que já nos conhecemos o bastante, de que temos uma visão clara e real daquilo que somos de verdade. Sendo assim, se já sei quem sou e o que quero, o que faltaria para tomar todas as atitudes que nos trariam satisfação?
Ou ainda, se considerarmos que tomamos todas as decisões corretas, de onde vem os sentimentos de insatisfação, tristeza e angústia que por vezes nos atingem?

A verdade é que temos uma tendência natural a subestimar ou superestimar elementos da nossa própria mente (ou psiquê). Olhando os problemas de um amigo ou colega, é fácil ter palpites do que deveria ser feito – a solução é simples, óbvia, clara como água! Mas quando se trata de nossas vidas, é muito mais difícil discernir o caminho a ser seguido. E por isso o autoconhecimento é tão importante.

Minha proposta é de que se você se conhece bem o bastante pra compreender como sua mente funciona e toma atitudes que estão alinhadas com sua personalidade real (aquilo que você é de verdade), o único resultado possível é uma vida mais satisfatória e com mais significado.

Como em diversas áreas, seja na economia, na política ou na vida particular, quando não se consegue manter o foco dos esforços nos elementos principais, pouco ou nenhum resultado é obtido. E está em nossas mãos conhecer e tomar conta da mais importante fonte de recursos que possuímos: nossa mente.

Fibromialgia e Qualidade de Vida

Quando falamos em qualidade de vida, imediatamente incluímos em um mesmo “pacote” uma série de requisitos bem diversos a serem contemplados. Este pensamento se alinha à definição de saúde atualmente aceita – um estado que não se limita apenas à ausência de doenças, mas que inclui o bem estar físico, mental e social. Neste sentido, a fibromialgia constitui-se em um ponto importantíssimo de reflexão a todos os profissionais de saúde, em função de sua complexidade.
A fibromialgia (ou fibrosite, como era conhecida no início) é um quadro caracterizado por dores músculo-esqueléticas difusas e em pontos anatomicamente bem determinadas. Embora já nomeada em 1904, somente na década de 1970 começou a se tornar uma entidade nosológica melhor definida, quando começaram as publicações apontando distúrbios do sono como parte integrante da síndrome, à qual também se incluiu a fadiga crônica como um de seus sintomas. Conforme os estudos foram evoluindo e se aprofundando, também foram apontadas outras condições que podem acompanhá-la, como ansiedade e depressão.
Na fibromialgia, o sofrimento acontece na esfera física, psicológica e também social.
A fibromialgia se coloca como um desafio tanto ao diagnóstico quanto ao tratamento. Primeiro, porque em geral se leva em consideração o pensamento segundo o qual toda doença necessariamente deriva de uma alteração biológica quantificável (como é conhecido, a pessoa com fibromialgia não apresenta, por exemplo, alterações em exames laboratoriais ou anatomopatológicos). Segundo, porque o caráter crônico das dores de certa maneira obscurece seu valor como critério diagnóstico; explico: enquanto sinal de alarme, de que algo não vai bem, a dor serve como um guia precioso que ajuda a definir o que há de errado com aquele organismo (ilustra isso a clássica pergunta: “onde é que dói?”). Ora, considerando o caráter difuso e constante das dores sem lesão física que ocorrem na fibromialgia, e a própria subjetividade que envolve a avaliação de sua intensidade, torna-se difícil utilizar a dor como parâmetro na hora de avaliar a queixa. Juntando tudo isso, é fácil cair na armadilha de subestimar o sofrimento (como se fosse menos intenso do que realmente é), relegando-o a um caráter secundário ou, pior, de considerar que é “coisa de gente mole”.
O fato é que, por trás de uma mera classificação ou mensuração das dores, há uma pessoa que sofre com prejuízos em todas as esferas: física, psicológica e social.
Na esfera física, a dor crônica torna difícil, quando não impede definitivamente, a realização de tarefas importantes na vida de qualquer pessoa, tanto em casa quanto no trabalho. Mais que “só uma dorzinha de nada”, a isso se sobrepõem os efeitos das noites mal dormidas e, consequentemente, da fadiga. O corpo sofre e se desgasta progressivamente com isto, levando a um estado geral de falta de energia e vitalidade. Ora, nossa condição de estarmos vivos e atuantes no mundo passa primeiro pela dimensão biológica, pelo corpo, e assim podemos dizer que não é possível atingir um estado de bem estar enquanto há um nível considerável de sofrimento físico.
Na esfera psicológica, hoje já são bem conhecidas (seja por meio de estudos ou porque sentimos na própria pele) as alterações de humor oriundas da privação de um sono de qualidade. Pesquisas indicam que ocorre uma modificação atípica das ondas cerebrais durante um dos estágios mais profundos do sono nos portadores de fibromialgia, e isto teria como consequência um sono superficial e não reparador, com despertares frequentes mesmo aos menores estímulos. Além de não recuperar o corpo, a mente também sofre, deixando a pessoa mais suscetível aos estados de irritabilidade e tristeza, a oscilações emocionais e à cefaléia, com consequências para a memória e até mesmo para a percepção e codificação das informações. Outra questão que não deve ser ignorada é o quanto o fato da fibromialgia não ter cura ou etiologia conhecidas impacta sobre a dimensão psíquica do indivíduo – podendo gerar sentimentos de desamparo/desesperança, impotência e vulnerabilidade, sejam eles conscientes ou não.
Na esfera social, se depara com efeitos que advém da redução da capacidade para o trabalho e a vida pessoal. Novamente enfocando o caráter essencialmente subjetivo da dor, muitos ficam reticentes quanto à legitimação deste sofrimento (e até mesmo no campo acadêmico prossegue o debate sobre o estatuto de doença atribuído à fibromialgia). De fato, não podemos ignorar que a falta de informação do grande público sobre o quadro, associado à realidade de que grande parte das pessoas acometidas por ela ser do sexo feminino, tem consequências sobre o impacto social causado por ele (e o debate dessas consequências, considerado o papel social da mulher, embora importante, foge ao propósito da presente reflexão).
É importante destacar que a complexidade da fibromialgia aponta na direção de uma etiologia múltipla, onde se entrelaçam fatores físicos, psíquicos e ambientais. O tratamento mais indicado, portanto, seria aquele que fosse o mais abrangente possível em todas essas dimensões, envolvendo o esforço de equipe multiprofissional, cada um em sua área de atuação. Através da compreensão empática daquele que procura ajuda e de seu sofrimento, pode-se mais facilmente aceder ao objetivo maior que é a redução do sofrimento e a promoção de uma vida com mais qualidade às pessoas que se colocam diante de nós.
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Wilson Luis Silva
Psicoterapeuta corporal
Psicólogo (CRP 06/103.262) graduado pelas Faculdades de Ciências Humanas, Saúde e Educação de Guarulhos, em formação no curso de Análise Biodinâmica pelo IBPB – Instituto Brasileiro de Psicologia Biodinâmica

Massagem Biodinâmica

Criada pela psicóloga e fisioterapeuta norueguesa Gerda Boyesen, é mais que apenas uma técnica de massagem. Partindo da compreensão de que todas as nossas vivências ficam registradas no corpo, a massagem biodinâmica tem como objetivo ajudar a liberar bloqueios para que a capacidade de autorregulação do organismo possa se restabelecer. Em outras palavras, é ajudar o corpo a resgatar sua capacidade natural de equilibrar-se frente às pressões e reveses do mundo.
 
 
Adaptada à necessidade de cada um, é uma intervenção corporal que caracteriza-se por evitar uma rigidez mecânica da técnica, sendo cada sessão de massagem planejada e executada de acordo com o que aquele indivíduo específico precisa naquele momento. Com suavidade, busca-se encontrar e dissolver tensões musculares que impedem o livre fluxo da energia vital, sempre de maneira respeitosa e não invasiva.

Entre os inúmeros benefícios que podem ser atingidos, podemos destacar:
* redução de stress e ansiedade
* diminuição de dores ósteo-musculares
* melhora na capacidade de lidar com as emoções
* melhora nos casos de distúrbios do sono
* controle de dores de cabeça recorrentes
* regulação da função digestiva
* auxilia no controle da pressão arterial
* liberação da respiração

* melhora a circulação sanguínea
* eliminação de toxinas dos tecidos do corpo

* aumento da vitalidade e disposição
* harmonização do funcionamento do organismo como um todo




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O que é Aconselhamento?

É uma modalidade de atendimento realizado por um profissional capacitado a ouvir e auxiliar você que tem uma ou mais das seguintes demandas:

* se sente triste aparentemente sem motivo
* está estressado
* tem dificuldade para tomar decisões
* se sente angustiado
* está passando por uma crise pessoal
* se sente preso a uma situação e não consegue ver saída
* se sente nervoso ou irritado e não sabe o que fazer
* tem dificuldades de relacionamento
* tem uma inquietação e não sabe bem o que é ou de onde vem
* tem pensamentos ou hábitos que atrapalham sua vida profissional, familiar ou afetiva
* tem um problema e não sabe se precisa de psicoterapia

Às vezes é difícil tomar uma decisão, e o Aconselhamento pode ajudar nisso

A sessão de aconselhamento se propõe a ser um espaço de escuta especializada dessas questões para ajudá-lo a encontrar alternativas e lidar melhor com elas. Promove a clarificação do problema (entendê-lo melhor) e ajuda a delinear possibilidades de enfrentamento, além de promover a autonomia e a confiança em si mesmo.




O que o Aconselhamento não é

* não é ouvir conselhos
Mais que um simples palpite sobre a situação, oferece um espaço para refletir e clarear o problema

* não é uma solução ou “fórmula” pronta para o problema
Ao contrário, é a chance de ver possibilidades e de lidar melhor com uma situação específica da sua vida

* não é um bate papo como o que temos com colegas e amigos
É a escuta e o posicionamento de um profissional capaz de analisar a situação e o contexto em que ela ocorre.

* não é psicoterapia
É um processo mais breve e mais focado em ações para lidar com uma questão específica vivida naquele momento.

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Quem Tem Medo de Psicólogo?

Na prática clínica, e mesmo no nosso dia-a-dia, nos deparamos com uma situação bastante curiosa: há pessoas que tem medo de psicólogo.
Esse medo, por vezes, é expresso de maneira bem explícita: comentários sobre o medo de ser diagnosticado com algum distúrbio mental, de ser “analisado”, de que o psicólogo descubra algo sem sua permissão, de que ele mande internar…
Tais frases demonstram certo receio e, sobretudo, desconhecimento sobre o que faz, efetivamente, um profissional da psicologia. Em uma breve pesquisa que ajudei a desenvolver (e que pode ser acessada aqui), o papel do psicólogo aparece no imaginário das pessoas de maneira um tanto distorcida, tanto em relação à sua prática profissional quanto, inclusive, à sua formação.
Todos nós sabemos que o desconhecido assusta, e não seria diferente neste tópico em particular. Ir ao psicólogo não é coisa de “louco”, não é só para quem tem “doenças mentais”; ele não vai receitar nenhum medicamento, nem “mandar internar”; do mesmo modo, o psicólogo certamente não vai adivinhar ou descobrir magicamente qualquer tipo de segredo, nem vai analisar ninguém de modo a causar exposição ou constrangimento (o que consiste, a propósito, em uma prerrogativa ética da profissão).
Sentimentos de vergonha e medo de ir ao psicólogo são bastante comuns.
Mais do que se imagina.
A prática da psicoterapia se fundamenta em princípios científicos, e serve para ajudar pessoas com dificuldades em diversas situações e áreas da vida (afetiva, conjugal, familiar, interpessoal, profissional…), quando essas dificuldades geram sofrimento psíquico.
Existe, até em função da imagem distorcida sobre a qual falamos, muito preconceito sobre “passar no psicólogo” – o que gera vergonha e medo. Mas, do mesmo modo como buscamos ajuda profissional de um fisioterapeuta, fonoaudiólogo, ginecologista, entre tantos outros, por que não procurar um psicólogo?
É muito comum ouvir, no consultório, frases como “não foi como eu imaginava”, “achei que você ia ficar em silêncio só me analisando” ou “nem doeu” depois da primeira consulta. E isso é um bom indicativo de que a ideia que se tinha não corresponde, necessariamente, à realidade da sessão…
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A escuta do psicólogo

Por vezes o trabalho psicoterápico acontece mais ou menos assim:

“- Ok – disse Tricia, decidindo colocar tudo para fora. – Não sei como você descobriu isso, mas…

– Eu não descobri nada, ao contrário do que você diz. Apenas escutei o que você estava dizendo.”


A escuta treinada do psicólogo permite perceber e clarificar alguns pontos não percebidos anteriormente. Não se trata de adivinhação ou palpite, mas de sensibilidade e técnica aliadas no objetivo de ajudar o cliente/paciente a evoluir.

(A citação é um trecho do livro ‘Praticamente Inofensiva’, de D. Adams)