Respire Fundo!

Você já parou para respirar hoje?

Essa pergunta, que pode soar um pouco estranha à primeira vista, pode ser bastante pertinente. Afinal, em nosso dia a dia sempre tão corrido, cheio de pressão e stress, não é raro precisarmos de um “tempinho pra respirar”.

Uma função tão básica e automática acaba passando despercebida em meio ao turbilhão de coisas que exigem nossa atenção. Mas isso não a torna menos importante: sem respirar, morreríamos em poucos minutos.

É através do processo da respiração que o oxigênio, levado pelo sangue, chega às nossas células; elas precisam deste gás tão precioso no seu processo de quebra das moléculas e obtenção de energia. Também é por meio dele que expelimos o dióxido de carbono (ou CO2), um dos resíduos da atividade metabólica.

Quando nascemos, uma das primeiras trocas que temos com o meio ambiente se dá quando começamos a respirar. Antes disso, era pelo cordão umbilical que o bebê recebia o oxigênio e eliminava o gás carbônico. Assim, o nosso “estar no mundo” passa, desde cedo, pela atividade respiratória.

Há também a interessante simbologia do “sopro divino”, que em várias culturas faz a ligação da ideia de respiração com a do poder superior, vital e criador.

Quando estamos sob tensão, sentimos medo, raiva ou tomamos um susto, é bastante comum que nosso padrão respiratório se modifique. Em uma situação de perigo, nosso organismo se prepara para lutar ou fugir, e normalmente respiramos mais rápido, de modo a suprir a necessidade do corpo, que é de mais energia, para enfrentar a ameaça. Quando levamos um baita susto, é bastante comum fazermos uma inspiração curta, segurando o ar por alguns segundos. Tudo isso indica, também, que a respiração tem uma ligação profunda com nossos processos emocionais.

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Não raro nos encontramos em situações de stress prolongado, e isso acaba gerando em nós um padrão respiratório diferente daquele que temos quando estamos mais relaxados e calmos. Preste atenção em como você respira normalmente: sua inspiração é mais “curta” e “rasa”, ou é mais profunda? Mais rápida, ou lenta? Possui um ritmo de inspiração e expiração, ou tende a ser mais irregular? Movimenta também o abdome, ou somente a parte superior do tórax?

Acreditamos aqui que o corpo e a mente formam uma unidade, daí que se alterarmos um deles, o outro acompanhará a mudança. Por isso, nossa proposta para hoje é a seguinte: respire!

Tome alguns minutinhos do seu dia para fazer uma respiração mais consciente: inspire mais profundamente, notando como o ar entra pelas narinas e chega aos pulmões; expire lentamente pela boca, percebendo como seus pulmões e tórax se movimentam durante o processo. Lembre-se sempre que o bem-estar é a regra de ouro, não se force a ponto de sentir desconforto. Pode ser que, no início, você sinta algum tipo de formigamento no rosto ou nas mãos. Não há com o que se preocupar: levante-se, se espreguice, ande um pouco pela sala, movimentando os membros e voltando a respirar normalmente. Esse é um tipo comum de reação, que acontece quando há mais oxigênio na corrente sanguínea do que estamos habituados. Com o tempo, essa sensação tende a diminuir.

Pode parecer pouco, mas alguns minutos dessa respiração consciente todos os dias podem contribuir para efeitos reais e bastante significativos, como mais vitalidade e disposição, relaxamento e diminuição do nível de stress.

Experimente e depois conte como foi!

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Hidrate-se!

Seguindo a linha de atitudes básicas que fazem toda a diferença, hoje vou falar sobre a água que ingerimos. Iniciando com algumas perguntas: quanta água você já tomou hoje? É bastante conhecida aquela máxima de “dois litros por dia”… Mas será isso verdade?

Nosso corpo é formado, em grande parte, por líquidos; e a manutenção dessa parte líquida se dá através da água que absorvemos, seja ela pura, em forma de suco/outras bebidas ou até mesmo da alimentação – pois os alimentos que ingerimos também têm sua porcentagem de água, maior ou menor dependendo do tipo de alimento em questão.

Refrigerantes contém substâncias que causam alguns efeitos indesejados, e por isso não constituem uma alternativa saudável. Precisamos repor a água que nosso corpo gasta durante o dia através da transpiração, urina, lágrimas e outros processos metabólicos. Um corpo bem hidratado mantém-se em melhor nível de funcionamento. Pele, cabelos, olhos, o processo digestivo, a eliminação dos resíduos do metabolismo, todos são beneficiados pela ingestão adequada de água.

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Saúde!

Muitos de nós não temos o hábito de tomar água. Soa estranha essa expressão? “Hábito de tomar água”… Normalmente nos guiamos pelo sinal que nosso corpo ativa quando não está devidamente hidratado: a sede. Mas, como defendem os profissionais da nutrição e afins, que esse não é o ideal; de maneira análoga aos alarmes que instalamos para proteger nossos bens, o da sede também só é disparado quando as coisas já não estão muito bem. Em outras palavras, o melhor seria se cultivássemos o hábito de hidratar nosso corpo, sem esperar que a sede precise nos lembrar. Mesmo no inverno, quando normalmente sentimos menos vontade de tomar água, é importante nos mantermos bem hidratados – o clima muda, mas a atividade metabólica continua!

Com relação à quantidade, também nesse campo cada indivíduo é único: as suas necessidades podem ser um pouco menores (ou maiores!) que os tão difundidos dois litros de água por dia. Nosso corpo perde mais ou menos água de acordo com as atividades físicas que desenvolvemos (ou não), alimentos que ingerimos, fatores climáticos a que estamos expostos… E para saber se estamos devidamente hidratados, vale observar alguns pontos, como a cor da urina (que deve estar clarinha), se sentimos muita sede durante o dia, se nossa pele (excluindo a possibilidade de alguma outra alteração) fica seca e descamando; são apenas alguns exemplos, mas podem servir como guias preciosos.

O interessante é buscar sempre o equilíbrio, pois deste modo tendemos a ter mais saúde. Nem sempre é o caminho fácil, pois envolve nos livrarmos de maus hábitos e cultivar alguns novos. Mas os benefícios são muitos e reais.

Acredite, vale a pena!

Três livros que organizaram 2014

Eu acredito, de verdade, que a leitura nos transforma. Não necessariamente por causa do estilo da escrita, algumas coisas ressoam com nossos anseios e necessidades – certas mensagens fazem um sentido mais profundo – e por isso são capazes de transformar. Embora esteja SEMPRE lendo alguma coisa, existem algumas leituras que se tornam mais significativas que outras. Apresento aqui um pequena lista de livros que me causaram esse efeito e me ajudaram a organizar 2014:

* Como Organizar Sua Vida Financeira, de Gustavo Cerbasi

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O que é: esse é o melhor livro sobre organização financeira que tive o prazer de ler. Gustavo Cerbasi fala sobre vários aspectos da nossa vida financeira e ensina como colocá-la “nos eixos” com uma linguagem super acessível – não é preciso nenhum conhecimento prévio sobre economia para entender a mensagem. É bastante geral, abrangendo desde os casos mais periclitantes em que a vida financeira já está muito complicada, até aqueles em que já se pensa na independência financeira. Aliás, esse é um das reflexões mais interessantes que o livro traz: como atingir um ponto em que os seus investimentos geram renda o suficiente para manter o seu padrão de vida?
Tópicos como organização das entradas e saídas do orçamento pessoal, dívidas, juros, parcelamentos, investimentos e previdência privada são abordados de forma bastante didática. E bem prática, o que é ainda melhor.

Por que foi transformador: Minha experiência com este livro foi transformadora principalmente pelo efeito revelador que ele tem. Através da aplicação dos conceitos ensinados, pude obter uma visão geral de como realmente se encontrava minha vida financeira. E esse não é um efeito pessoal, isto é, que só aconteceu comigo – seguindo as técnicas apresentadas, é possível para qualquer pessoa ter um panorama da REAL situação em que se encontra. E daí, fica muito mais claro que caminho tomar, pois pode-se perceber o “tamanho do buraco” (ou se existe mesmo – ou não – algum buraco, afinal!) e então adotar a estratégia mais adequada para se mover adiante.

Getting Things Done (A Arte de Fazer Acontecer), de David Allen

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O que é: publicado no Brasil com o nome ‘A Arte de Fazer Acontecer’, este é um livro que trata essencialmente de organização. Ele apresenta o método GTD (a sigla para ‘Getting Things Done’, ou ‘realizando coisas’), que pode ser utilizado para organizar qualquer coisa. Mesmo.
Partindo do pressuposto de que estamos afundados em coisas para processar todos os dias – e a maioria de nós está – David Allen nos apresenta uma maneira de categorizar as coisas para que elas tenham um destino e deixem de entulhar: seja nossa caixa de entrada de emails, nossas gavetas e nossa cabeça. Sua ideia é criar um sistema em que toda a informação seja coletada e, a partir disso, nos seja possível tomar a decisão do que fazer com elas. E tudo isso sem precisar ficar com medo de ter esquecido alguma coisa.

Por que foi transformador: sabe aquela sensação de ter 1234650 coisas pra fazer e não saber por onde começar? Aquela sensação de stress, de que o dia precisa ter 28 horas ou de que o mundo vai desabar e você não vai ser capaz de lidar com tudo?
Então, muito disso vem do fato de que estamos sobrecarregados com todas as demandas que chegam a nós todos os dias. E como não temos tempo de organizar tudo, elas se acumulam. Daí, não temos um sistema que nos ajude na tarefa, então ficamos com a mente sobrecarregada tentando não esquecer de nada importante. Este livro foi transformador justamente por oferecer uma maneira prática e efetiva de “colocar a casa em ordem”.

* Organizando a Vida com o Evernote, de Vladimir Campos

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O que é: um livro curto e absolutamente didático sobre o uso do software Evernote – um programa destinado a coletar, armazenar e tornar pesquisável qualquer tipo de informação. De comprovantes de pagamento e documentos diversos a fotos e receitas, virtualmente qualquer coisa pode ser armazenada e encontrada facilmente no Evernote. Como se não bastasse isso, toda a informação fica disponível em qualquer lugar, através de computador, tablet, smartphone ou qualquer outro dispositivo com acesso à internet.

Por que foi transformador: o Evernote é uma ferramenta incrível de gestão da informação. Desde o primeiro momento em que se pode ter acesso a qualquer informação armazenada, em qualquer lugar, imediatamente, e sem precisar quebrar a cabeça pra lembrar onde está se percebe o quão útil ele pode ser. E o livro do Vladimir Campos ajuda a esmiuçar cada uma das funções do programa para facilitar nossa vida e liberar nossa memória para outras tarefas. Unindo GTD e Evernote, as possibilidades de organização e gestão pessoal são absurdamente poderosas. E essa combinação transformou profundamente o modo de organizar meu trabalho e vários campos da minha vida.

Espero que essas leituras possam ser tão úteis e proveitosas a cada um de vocês quanto foi para mim!

Um grande abraço e até mais!

O desafio de encontrar Significado e Satisfação na vida

Muitas pessoas me procuram em busca de ajuda essencialmente por duas razões: ou porque têm um sofrimento e querem se ver livre dele; ou porque não tem exatamente um problema grave – às vezes, até possuem todos os elementos que se costuma imaginar que façam “uma boa vida” – mas mesmo assim não tem satisfação e nem encontram um sentido pra suas vidas. O que será que falta a essas pessoas?
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Em geral, as angústias e insatisfações delas tem origem em dois pontos principais:
a) falta de conhecimento sobre os mecanismos psicológicos que constituem nossa vida
b) dificuldade em lidar com as situações (ou relacionamentos) de maneira que se encontre uma solução alinhada com seu jeito particular de ser – sua personalidade ou identidade.

É bastante comum que tenhamos o pensamento de que já nos conhecemos o bastante, de que temos uma visão clara e real daquilo que somos de verdade. Sendo assim, se já sei quem sou e o que quero, o que faltaria para tomar todas as atitudes que nos trariam satisfação?
Ou ainda, se considerarmos que tomamos todas as decisões corretas, de onde vem os sentimentos de insatisfação, tristeza e angústia que por vezes nos atingem?

A verdade é que temos uma tendência natural a subestimar ou superestimar elementos da nossa própria mente (ou psiquê). Olhando os problemas de um amigo ou colega, é fácil ter palpites do que deveria ser feito – a solução é simples, óbvia, clara como água! Mas quando se trata de nossas vidas, é muito mais difícil discernir o caminho a ser seguido. E por isso o autoconhecimento é tão importante.

Minha proposta é de que se você se conhece bem o bastante pra compreender como sua mente funciona e toma atitudes que estão alinhadas com sua personalidade real (aquilo que você é de verdade), o único resultado possível é uma vida mais satisfatória e com mais significado.

Como em diversas áreas, seja na economia, na política ou na vida particular, quando não se consegue manter o foco dos esforços nos elementos principais, pouco ou nenhum resultado é obtido. E está em nossas mãos conhecer e tomar conta da mais importante fonte de recursos que possuímos: nossa mente.

Acupuntura Auricular – Auriculoterapia

Derivada da medicina tradicional chinesa, a auriculoterapia é uma técnica que consiste na estimulação de determinados pontos da orelha relacionados aos meridianos de circulação energética do organismo.
Todas as doenças e disfunções têm origem em algum desequilíbrio nessa estrutura sutil e, através da estimulação dos pontos, existe a possibilidade de retomar o equilíbrio saudável.

É possível obter resultados altamente positivos em casos como insônia, enxaqueca, dores ósteo-musculares (artrite, artrose, tendinites, luxações, etc), ansiedade, alergias, vício em nicotina, desequilíbrio alimentar, sobrepeso e uma série de outras.

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O que você escolhe?

Você pode escolher entre curtir ser quem você é ou viver infeliz por não ser quem gostaria.

Você pode escolher entre assumir sua individualidade ou sempre procurar ser o que os outros gostariam que você fosse.

Você pode escolher entre se divertir ou dizer em tom amargo que já passou da idade e que essas coisas são fúteis e nada têm a ver com você.

Você pode escolher entre amar incondicionalmente ou ficar se lamentando pela falta de gente à sua volta.

Você pode escolher entre ouvir seu coração ou agir apenas racionalmente, analisando a vida antes de vivê-la.

Você pode escolher entre deixar tudo como está para ver como é que fica ou realizar as mudanças que o mundo exige.


Você pode escolher entre deixar-se paralisar pelo medo ou agir com o pouco que tem e com muita vontade de vencer.

Você pode escolher entre amaldiçoar sua sorte ou encarar a grande oportunidade de crescimento que a vida lhe oferece.

Você pode escolher entre achar culpados e desculpas para tudo ou encarar que é você quem decide o tipo de vida que quer levar.

Você pode escolher entre traçar seu destino ou continuar acreditando que ele já estava escrito e não há nada a fazer.

Você pode escolher entre viver o presente ou ficar preso a um passado que já se foi e a um futuro que ainda não veio.

Você pode escolher entre melhorar tudo o que está à sua volta e a si próprio ou esperar que o mundo melhore para que então você possa melhorar.

Você pode escolher entre continuar escravo da preguiça ou tomar a atitude necessária para concretizar seu plano de vida.

Você pode escolher entre aprender o que ainda não sabe ou fingir que já sabe tudo e nada mais aprender.

Você pode escolher entre ser feliz com a vida como ela é ou passar todo o seu tempo se lamentando pelo que ela não é.



A escolha é sua…

(autor desconhecido)

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Fibromialgia e Qualidade de Vida

Quando falamos em qualidade de vida, imediatamente incluímos em um mesmo “pacote” uma série de requisitos bem diversos a serem contemplados. Este pensamento se alinha à definição de saúde atualmente aceita – um estado que não se limita apenas à ausência de doenças, mas que inclui o bem estar físico, mental e social. Neste sentido, a fibromialgia constitui-se em um ponto importantíssimo de reflexão a todos os profissionais de saúde, em função de sua complexidade.
A fibromialgia (ou fibrosite, como era conhecida no início) é um quadro caracterizado por dores músculo-esqueléticas difusas e em pontos anatomicamente bem determinadas. Embora já nomeada em 1904, somente na década de 1970 começou a se tornar uma entidade nosológica melhor definida, quando começaram as publicações apontando distúrbios do sono como parte integrante da síndrome, à qual também se incluiu a fadiga crônica como um de seus sintomas. Conforme os estudos foram evoluindo e se aprofundando, também foram apontadas outras condições que podem acompanhá-la, como ansiedade e depressão.
Na fibromialgia, o sofrimento acontece na esfera física, psicológica e também social.
A fibromialgia se coloca como um desafio tanto ao diagnóstico quanto ao tratamento. Primeiro, porque em geral se leva em consideração o pensamento segundo o qual toda doença necessariamente deriva de uma alteração biológica quantificável (como é conhecido, a pessoa com fibromialgia não apresenta, por exemplo, alterações em exames laboratoriais ou anatomopatológicos). Segundo, porque o caráter crônico das dores de certa maneira obscurece seu valor como critério diagnóstico; explico: enquanto sinal de alarme, de que algo não vai bem, a dor serve como um guia precioso que ajuda a definir o que há de errado com aquele organismo (ilustra isso a clássica pergunta: “onde é que dói?”). Ora, considerando o caráter difuso e constante das dores sem lesão física que ocorrem na fibromialgia, e a própria subjetividade que envolve a avaliação de sua intensidade, torna-se difícil utilizar a dor como parâmetro na hora de avaliar a queixa. Juntando tudo isso, é fácil cair na armadilha de subestimar o sofrimento (como se fosse menos intenso do que realmente é), relegando-o a um caráter secundário ou, pior, de considerar que é “coisa de gente mole”.
O fato é que, por trás de uma mera classificação ou mensuração das dores, há uma pessoa que sofre com prejuízos em todas as esferas: física, psicológica e social.
Na esfera física, a dor crônica torna difícil, quando não impede definitivamente, a realização de tarefas importantes na vida de qualquer pessoa, tanto em casa quanto no trabalho. Mais que “só uma dorzinha de nada”, a isso se sobrepõem os efeitos das noites mal dormidas e, consequentemente, da fadiga. O corpo sofre e se desgasta progressivamente com isto, levando a um estado geral de falta de energia e vitalidade. Ora, nossa condição de estarmos vivos e atuantes no mundo passa primeiro pela dimensão biológica, pelo corpo, e assim podemos dizer que não é possível atingir um estado de bem estar enquanto há um nível considerável de sofrimento físico.
Na esfera psicológica, hoje já são bem conhecidas (seja por meio de estudos ou porque sentimos na própria pele) as alterações de humor oriundas da privação de um sono de qualidade. Pesquisas indicam que ocorre uma modificação atípica das ondas cerebrais durante um dos estágios mais profundos do sono nos portadores de fibromialgia, e isto teria como consequência um sono superficial e não reparador, com despertares frequentes mesmo aos menores estímulos. Além de não recuperar o corpo, a mente também sofre, deixando a pessoa mais suscetível aos estados de irritabilidade e tristeza, a oscilações emocionais e à cefaléia, com consequências para a memória e até mesmo para a percepção e codificação das informações. Outra questão que não deve ser ignorada é o quanto o fato da fibromialgia não ter cura ou etiologia conhecidas impacta sobre a dimensão psíquica do indivíduo – podendo gerar sentimentos de desamparo/desesperança, impotência e vulnerabilidade, sejam eles conscientes ou não.
Na esfera social, se depara com efeitos que advém da redução da capacidade para o trabalho e a vida pessoal. Novamente enfocando o caráter essencialmente subjetivo da dor, muitos ficam reticentes quanto à legitimação deste sofrimento (e até mesmo no campo acadêmico prossegue o debate sobre o estatuto de doença atribuído à fibromialgia). De fato, não podemos ignorar que a falta de informação do grande público sobre o quadro, associado à realidade de que grande parte das pessoas acometidas por ela ser do sexo feminino, tem consequências sobre o impacto social causado por ele (e o debate dessas consequências, considerado o papel social da mulher, embora importante, foge ao propósito da presente reflexão).
É importante destacar que a complexidade da fibromialgia aponta na direção de uma etiologia múltipla, onde se entrelaçam fatores físicos, psíquicos e ambientais. O tratamento mais indicado, portanto, seria aquele que fosse o mais abrangente possível em todas essas dimensões, envolvendo o esforço de equipe multiprofissional, cada um em sua área de atuação. Através da compreensão empática daquele que procura ajuda e de seu sofrimento, pode-se mais facilmente aceder ao objetivo maior que é a redução do sofrimento e a promoção de uma vida com mais qualidade às pessoas que se colocam diante de nós.
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Wilson Luis Silva
Psicoterapeuta corporal
Psicólogo (CRP 06/103.262) graduado pelas Faculdades de Ciências Humanas, Saúde e Educação de Guarulhos, em formação no curso de Análise Biodinâmica pelo IBPB – Instituto Brasileiro de Psicologia Biodinâmica